Queda de preço do petróleo ameaça ‘sonho brasileiro’ em Angola
A
queda no preço internacional do petróleo, principal produto de
exportação do país, provocou duros cortes no orçamento do governo e
gerou um efeito em cascata que culminou em demissões em empresas.
A
paraense Flavia*, de 28 anos, trabalhava há mais de três anos em uma
empresa brasileira de fiscalização de obras e retornou ao Brasil no
início de março, após ser demitida. "Tivemos um quadro bem significativo
de demissões na área técnica por conta da crise. Já viemos embora uns
40 funcionários, cerca de 30% do quadro total de expatriados", disse à
BBC Brasil.
A
justificativa para os cortes, segundo Flavia, foi o acúmulo de não
pagamentos por parte do governo pelas obras que a empresa supervisionava
– construção de estradas, edifícios e casas populares. "Isso já vinha
acontecendo há alguns meses, mas às vezes uma obra pagava e cobria as
outras. Mas chegou o momento que nenhuma delas estava pagando."
Atualmente
há cerca de 9 mil brasileiros trabalhando no país, segundo estimativas
da Associação de Executivos e Empresários Brasileiros em Angola
(Aebran), que reúne representantes de cerca de 70 empresas.
Segundo
o presidente da Associação, Cleber Correia, o número de brasileiros
chegou a 20 mil em 2008, no que considera "os tempos áureos" da chegada
de profissionais estrangeiros ao país. A embaixada brasileira em Luanda
afirma não ter números oficiais.
Em
comunidades de expatriados no Facebook, que chegam a reunir até 8 mil
pessoas, é comum encontrar profissionais vendendo móveis ou buscando
trocar dinheiro para deixar o país. Profissionais entrevistados pela BBC
Brasil dizem ter acompanhado a demissão de grande parte de suas
equipes.
Correia, que também é sócio de uma imobiliária, afirma que mais profissionais têm deixado o país desde janeiro.
"Estamos
entregando casas aqui a torto e a direito, tanto de brasileiros quanto
de outros profissionais estrangeiros. Está havendo uma debandada geral",
disse à BBC Brasil.
"Havia muita procura por guesthouses (casas
transformadas em pensões), que eram arrendadas para as empresas para
abrigarem os funcionários. Hoje, no grupo de corretores em que estou no
Whatsapp, vemos um por dia dizendo que há guesthouses disponíveis. Isso era ouro, não se encontrava antes."
17-04-2015 | Fonte: BBC
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