Ex-oficial português destaca 4 de Fevereiro como antecedente do “25 de Abril”

José Aires, antigo oficial da Marinha de Guerra Portuguesa durante Revolução dos Cravos (Foto: Joaquina Bento)
Em entrevista hoje à Angop, em Luanda, relativa a mais um aniversário da também conhecida “Revolução dos Cravos” e que derrubou o então regime fascista, o ex-militar afirmou que o início da luta armada em Angola enquadrou-se nos movimentos da história comprovativos “de que o colonialismo já não tinha qualquer sentido”.
Como outras razões para aquele desfecho citou a relização do Acordo de Alvor (Janeiro de 1975), entre o governo português e os três principais movimentos de libertação de Angola (MPLA, Unita, e FNLA), assim como a invasão (Dezembro de 1961) aos territórios de Goa, Damão e Diu pela India, e consequente tomada de poder.
Quanto a factores internos para a revolução, o militar reformado da marinha portuguesa referiu que, inicialmente, houve uma contestação gradual e uma consciencialização política dos militares de que a guerra colonial era uma coisa sem sentido e que o regime não teve a capacidade de perceber o movimento da história.
Aliado a isto explicou que face ao reduzido número de oficiais do quadro do Movimento das Forças Armadas (MFA) o regime recrutou para o serviço militar obrigatório jovens licenciados, vindos das universidades, onde ja havia grande contestação.
Estes influenciaram, de certa forma, os oficiais do quadro para alguma consciência política, disse, acrescentando que em quase todas as instalações militares havia pessoas ligadas ao MFA.
Por outro lado José Aires referiu que a Guiné Bissau foi onde um dos movimentos de libertação estava mais próximo de tomar o poder. “Se não tivesse acontecido o 25 de Abril, o PAIGC, em Maio, tomava o poder, e isso era uma vergonha brutal para o regime”.
Entretanto, explicou, em Portugal, a 16 de Março, com o chamado Golpe das Caldas da Rainha, um conjunto de tropas tentou sem sucesso tomar conta do regime, um pré-golpe abortado com a prisão na Costa da Caparica do coronel Vasco Lourenço, líder do 25 de Abril.
Sobre a sua participação na revolução disse que com a patente de primeiro tenente, esteve enquadrado num dos maiores centros de formação da marinha, e possuía, por altura da acção, contactos e diferentes níveis de informação.
Esteve envolvido num conjunto de grupos, associações criadas em diferentes unidades, ligadas ao MFA, tendo sido igualmente membro da assembleia das Forças Armadas e coordenador de grupos de trabalho que emergiram na época.
José Aires reside há três anos em Angola, onde é professor independente na área comportamental (liderança, trabalho de equipa, comunicação). (portalangop.co.ao)
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