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segunda-feira, abril 20, 2015

Angola falha metas de educação da UNESCO


Luanda - Quinze anos depois da assinatura do projecto “Educação para todos”, compromisso para educar todas as crianças do mundo até 2015, a UNESCO veio hoje revelar que apenas um terço dos 164 países cumpriu com os objectivos estabelecidos.
Fonte: RA
Se em termos globais os progressos foram poucos, na África subsariana o balanço é ainda mais decepcionante. Nenhum dos países cumpriu com as seis metas do programa, assinado em 2000, na cidade de Dakar, sendo que apenas sete cumpriram com o objectivo mais importante: instruir todas as crianças do ensino básico.
Angola não figura na lista. O país cumpriu apenas um dos objectivos da UNESCO, o do aumento do ensino pré-primário – Angola está entre os sete países onde 80 por cento ou mais das crianças tem acesso a educação pré-primária.
Os restantes quatro objectivos passavam por garantir a igualdade de acesso à educação e habilitação a jovens e adultos, assegurar uma redução de 50 por cento no nível de iliteracia adulta, e atingir a igualdade de género e paridade no acesso à educação.
O relatório ressalva ainda outro dado preocupante: a iliteracia na África Subsariana atinge sobretudo o sexo feminino, o que é especialmente visível em países como o Níger ou a Guiné-Conacri, onde cerca de 70 pro cento das mulheres nunca frequentaram a escola.   Mais crianças nas escolas
Em termos globais há algumas tendências positivas a assinalar. O número de crianças e adolescentes fora da escola diminuiu quase para metade desde 2000 – no total, 34 milhões foram incluídos nos sistemas de ensino. A estimativa agora é que, entre as crianças nascidas em 2005, 20 milhões a mais tenham completado a educação primária em comparação com a projecção baseada nas tendências pré-Dakar.
O relatório mostra que existem, ainda, 58 milhões de crianças fora da escola. Cerca de 100 milhões, que têm acesso, deixarão os estudos sem completar a educação primária. A taxa de permanência das crianças na escola aumentou em 23 países, mas diminuiu em 37. Globalmente, a projecção é que a taxa de permanência na educação primária não seja maior que 76 por cento em 2015.
Por outro lado, a UNESCO fala num aumento da desigualdade na educação. Uma criança pobre tem quatro vezes menos hipóteses de frequentar a escola do que uma rica, e cinco vezes menos hipóteses de completar a educação primária. Os conflitos também são uma barreira no acesso à educação, entre a população que vive nessas regiões, a proporção de crianças fora da escola é “alta e está aumentando”.   É preciso investir na educação
O mundo precisa de aumentar o investimento em educação. Esta é uma das conclusões do relatório final de monitorização da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) sobre as metas estabelecidas em 2000 no projecto “Educação para todos”.
O documento foi assinado por 164 países de renda baixa e média baixa. De acordo com o relatório, estes precisarão de gastar 5,4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) para garantir um ensino de qualidade, e as nações ricas precisarão aumentar as transferências para os países mais pobres em USD 22 mil milhões por ano.
A Unesco destaca que a educação não é a prioridade em muitos orçamentos e mudou pouco desde 1999. Em 2012, representava 13,7 por cento dos gastos dos países, o que é menos do que o recomendado pela organização, que aponta para 15 a 20 por cento do Orçamento.
Globalmente, em 2012, dos 142 países com dados disponíveis, 39 gastaram 6 por cento ou mais do PIB em educação. O número aumentou em relação a 1999, quando dos 116 países com dados disponíveis, 18 gastaram 6 por cento ou mais do PIB.

JES em “selfie” familiar


Lisboa - José Eduardo dos Santos aceitou fazer um “selfie” que lhe foi gentilmente incentivado pelas suas cunhadas (as gémeas Ana Ceita) no seguimento de um momento familiar no Palácio Presidencial, em Luanda. Na  rara aparição, o estadista angolano aparece meio descontraído e sem os guardas ao redor.
Fonte: Club-k.net
Chefe de Estado  em momento de simplicidade 
Está é a segunda vez, em curto espaço de tempo, que o Presidente José Eduardo dos Santos é descontraidamente fotografado em momentos familiares, de modo informal.

Em Dezembro do ano passado a sua filha Joseane dos Santos partilhou nas redes sociais um momento íntimo da família, em que se podia ver o estadista descontraído no sofá,  ao que parecia estar a assistir televisão. Na cadeira ao lado estava a primeira dama, Ana Paula Lemos  dos Santos, a ler uma revista, que supõe, ser da linhagem da  CARAS.

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Filha do Presidente divulga momento familiar


MPLA com dificuldades de encontrar PCA para GEFI


Lisboa – O MPLA, denota dificuldades em encontrar  um gestor, de confiança política  que possa vir  a desempenhar as funções de Presidente do Conselho de Administração da GEFI – Sociedade de Gestão e Participações Financeiras, o seu braço financeiro e um outro para a Fundação Sagrada Esperança, o seu  braço social e comercial que até pouco tempo era  dirigido pelo malogrado Afonso Van-dunem  “Mbinda”.

Fonte: Club-k.net
O actual  PCA da GEFI, é o general Mário António de Sequeira e Carvalho que, de acordo com pressões internas,  está, contra a sua vontade,  destinado a deixar o cargo,  no seguimento da sua indicação em Fevereiro de 2014, para as funções de Secretário para informação e propaganda do Bureau Político do MPLA.

As dificuldades que o partido estaria a ter em encontrar um substituto de Mário António é atribuída a interferências e  rigor que o mesmo estaria  a exercer na qual lhe recaem suspeitas de que seja seu desejo propor um futuro PCA da sua  confiança pessoal. Teria se  conjecturado, o nome de um quadro intermédio.

Criada em Setembro de 1992, a GEFI, é o monstro financeiro criado pelo MPLA, numa altura em que os seus dirigentes temiam  que a UNITA de Jonas Savimbi ganhariam as primeiras eleições gerais em Angola. A sua criação, foi sempre vista como uma medida de prevenção em que em caso de vitória do seu adversário político, o MPLA ficaria com poder económico através de algumas empresas públicas que, naquele ano, privatizou  e transferiu  para o seu património da  GEFI.

Na altura, assinaram como acionistas da GEFI,  Francisco Magalhães Paiva, então ministro do Interior, actualmente deputado e, desde então, membro do Bureau Político do MPLA; José Mateus Adelino Peixoto, então chefe da Casa Civil do Presidente da República, actual quadro sénior da Presidência da  República; António de Campos Van-Dúnem, então assessor jurídico do Presidente da República; Augusto Lopes Teixeira, na altura membro do Bureau Político; Carlos Alberto Ferreira Pinto,  deputado e membro do Bureau Político do MPLA; e a Fundação Sagrada Esperança.

A actual carteira de negócios da GEFI S.A inclui a sua participação em 64 empresas que operam no domínio da hotelaria, indústria, banca, pescas, comunicação social, construção, imobiliária, etc.
Principais Participações 
1. Sector da Industria 
SOBA – Cervejeira
SOPOL – Grafica
Kwaba – Moageira
Nova Cimor – Moageira
MARTIFER- ANGOLA– Metalomecânica
2. Comercio 
Dilog – Comercio geral
Austrapharma – Medicamentos
3. Hotelaria e Turismo 
Hotel Tivoli
Hotel Trópico
Hotel Presidente
Hotel Mayombe
3.1 Projectos 
NovoHotel Turismo
Hotel Zimbo
Hotel Central
Hotel Katekero
Hotel Farol Velho
4. Imobiliária 
4.1 Projectos
Ngolamobil
Grande armazéns do Bungo
Casa American

5. Aviação 
Flay – 540
6. Banca 
Banco Sol
Banco Comercial Angolano
7. Publicidade e Imagem 
Orion
Pontual
8. Outras Participações 
Bolsa de Valores
Sansul-S.A, Consultoria
Epata Fishing – Pescas
Socorro – Segurança e Protecção
Sambiente – Segurança Industrial
9. Outros Projectos em Carteira 
Obras Publicas
Mineração
Agricultura
Agro-industria

domingo, abril 19, 2015

Anselmo Ralph: "Quando és uma figura pública, mal pões o pé fora de casa já estás a trabalhar"



07-12-2014 | Fonte: DN
 
O angolano pisa o Meo Arena amanhã, ao lado de músicos brasileiros, e fala sobre a sua vida longe desses holofotes que lhe custam a suportar por causa da doença que o acompanha desde os cinco anos, a família, a carreira que poderá de ter de abrandar e a guerra civil que viveu em direto.
Vai subir ao palco do Meo Arena amanhã, dia 8, mas como é a sua vida quando não tem concertos?
Sou muito caseiro, se queres que te diga.
Isso vai arruinar a sua imagem...
Talvez isso se deva ao facto de estar sempre de um lado para o outro, sempre que estou sossegado aproveito ao máximo. Quando és uma figura pública, mal pões o pé fora de casa já estás a trabalhar e às vezes é muito difícil cobrar aos fãs. Dizer "estou com a minha família, não me venham pedir fotos". Se eu visse o Stevie Wonder pensava "é a minha oportunidade, se calhar nunca mais vou ver" e ia dizer "desculpe o incómodo, sei que estou a ser chato, mas... Então, muitas vezes, penso vou ficar em casa. 

Nunca vai com os seus filhos [Alicia e Jadson] ao parque?

Não. Ficamos em casa. Tem um parque (risos). Eles estão mais habituados a estar com a mãe, felizmente. A minha filha tem sete anos. Um dia fui buscá-la à escola e foi a maior confusão. Depois ela pediu-me para ficar no carro quando a fosse buscar. A nossa vida é muito caseira. Se queremos sair em família, viajamos para lugares onde ninguém nos conhece, vamos para a Disney, em Paris...

Sobe para nove o número de policias assassinados por seguidores do"Kalupeteka"




19-04-2015 | Fonte: Angop

Mais dois corpos de policias assassinados quinta-feira na Serra Sumé, município da Caála, a cerca de 50 quilómetros a sul da cidade do Huambo, foram encontrados nas últimas 24 horas durante as buscas efectuadas no local pelas forças de segurança e defesa, elevando para nove o número de vitimas.

Os mesmos foram assassinados por seguidores da seita religiosa Adventista do 7º Dia a Luz do Mundo, fundada e liderada pelo cidadão nacional José Julino Kalupeteka, de 52 anos de idade, detido sexta-feira.
Entre as vitimas, que se deslocaram àquela localidade em cumprimento do mandato de captura emitido pela Procuradoria-Geral da República na província do Bié, consta o comandante da Polícia Nacional no município da Caála, superintende-chefe Evaristo Catombela, o chefe das operações da Polícia de Intervenção Rápida nesta província, intendente Luhengue Joaquim José, e o instrutor da Polícia de Intervenção Rápida, sub-inspector Abel do Carmo.
Foram ainda assassinados o 1º sub-chefe João Nunes, os agentes Luís Sambo, Castro Hossi, Manuel Lopes e Afonso António, assim como o delegado do Serviço de Inteligência e Segurança Interna do município da Caála.
O comando da Polícia Nacional na província do Huambo informou sábque os malogrados vão ser enterrados na próxima segunda-feira.

Libolo conquista taça de Angola em Basquetebol



19-04-2015 | Fonte: Angop
O Recreativo do Libolo garantiu a Taça de Angola, ao derrotar, no Pavilhão da Cidadela, o 1º de Agosto por 79-70.
A equipa do Calulo conquistou, assim, o terceiro título, perante o adversário que domina esta prova, com 13 troféus festejados.
Recreativo do Libolo  - Olímpio Cipriano, Carlos Morais, Elmer Feliz, Valdelicio Joaquim, Eduardo Mingas - cinco Inicial - Luis Costa, Vlademir Pontes, Braulio Morais, Ezequiel  Silva,  Eric Coleman, Joseney  Joaquim
1º de Agosto - Reggie Moore, Felizardo Ambrósio, Hermenegildo Santos, Edmir Lucas, Ialando Manuel - cinco incial - Edson Ndoniema, Armando Costa, Francisco Sousa, Jone Pedro, Joaquim Gomes, Mohamed Melick, Roderick Nealy.
 

UNITA nega qualquer envolvimento nas acções da seita criada por Kalupeteka



19-04-2015 | Fonte: Angop

O secretário da Unita na província do Huambo, Liberty Chiyaka, negou sábado,  qualquer envolvimento directo ou indirecto do seu partido nas acções que têm sido realizadas, no país, pelos seguidores da seita religiosa Adventista do 7º Dia Luz do Mundo, criada e liderada pelo nacional José Julino Kalupeteka, de 52 anos de idade.


Reagindo, em declarações à imprensa, o facto dos órgãos de segurança e defesa terem encontrado na base desta seita, na Serra Sumé, município da Caála, a cerca de 50 quilómetros a Sul da cidade do Huambo, diverso material de propaganda da Unita, o responsável informou que Kalupeteka nunca foi militante deste partido.
"A ser verdade, de que foram encontrados material de propaganda nosso, achamos imperioso que sejam separados os factos. As pessoas têm convicções ideológicas partidárias e também têm simpatias religiosas, mas, ainda assim, não deixam de ser responsabilizadas pelos actos que praticam", argumentou.
Para Liberty Chiyaka, é normal que num universo de duas mil pessoas hajam militantes de diferentes partidos políticos e que tenham levado consigo material de propaganda, mas não é prova suficiente para ligar ou não a tais partidos.
"O Kalupeteka não é e nunca foi militante da Unita. Nós, enquanto partido, não estamos por dentro ou por trás dos seus actos, que até condenamos veementemente, por serem um atentado à paz, a estabilidade e segurança nacional. Estamos revoltados com o assassinato cobarde e hediondo dos policias ao serviço da nação", informou.

Angola a maioria do povo está a ficar mais pobre


Angola: a maioria do povo está a ficar mais pobre
Desde o fim das três décadas de guerra civil, que terminou em 2002, Angola tem tido um crescimento económico sem precedentes. já ultrapassou a Nigéria como maior produtor de petróleo em África e é o quinto maior exportador de diamantes do mundo. Mas, apesar de ter a economia em rápida expansão, dois terços da sua população continua a viver com menos de dois dólares por dia, segundo o Banco Mundial.
Por Louise Redvers, de Luanda para a IPS
Um motorista conduz um reluzente BMW com tracção às 4 rodas, saindo de um condomínio fechado e transportando uma executiva elegantemente vestida e os três filhos fardados, numa manhã como todas as outras na capital angolana, Luanda.
Ao deixar o seu escritório com ar condicionado para almoçar, a nossa executiva vai pagar 100 dólares pela sua refeição num café na marginal e gastar 300 dólares, sem qualquer problema, num pequeno número de produtos alimentares importados adquiridos numa luxuosa mercearia.
A poucas milhas de distância, uma outra mulher está sentada na berma de uma estrada poeirenta, uma entre muitas que vendem latas amolgadas com óleo de palma e tomates pisados. Estas mulheres sentam-se no chão ou em cima de baldes de plástico virados ao contrário, a poucos metros de uma vala cheia de lixo putrefacto.
Sem prestar atenção ao cheiro nauseabundo e aos enxames de moscas, ela faz tranças no cabelo de outra mulher e vê os filhos subnutridos a brincar em poças de lama perto dali. Ambas estas mulheres são angolanas, mas nunca se irão encontrar, e será pouco provável que alguma vez compreendam as realidades opostas uma da outra.
Desde o fim das três décadas de guerra civil, que terminou em 2002, o país tem gozado de um crescimento económico sem precedentes - com um crescimento médio anual do Produto Interno Bruto (PIB) de 15 por cento - graças aos elevados preços do petróleo e a milhares de milhões de dólares de investimento estrangeiro, especialmente na construção.
Produzindo aproximadamente 1.8 milhões de barris de petróleo por dia, Angola já ultrapassou a Nigéria como maior produtor de petróleo em África e quinto maior exportador de diamantes do mundo.
Mas, enquanto o país conquista o reconhecimento internacional pela sua economia em rápida expansão, dois terços da sua população continua a viver com menos de dois dólares por dia, segundo o Banco Mundial.
O Centro de Estudos e Investigação Científica (conhecido pela sua sigla em português, CEIC) da Universidade Católica de Angola ter registado uma taxa de desemprego da ordem dos 25%, mas refere que mais de metade da população está dependente do sector informal para gerar rendimento e que, nas zonas rurais, a maioria da população continua dependente da agricultura de subsistência.
Não há empregos
A expansão do sector petrolífero em Angola trouxe milhões de dólares aos cofres do Estado, mas criou muito poucos postos de trabalho, e os milhares de projectos de construção em todo o país - sinal de que o país está em reconstrução depois de muitos anos de guerra - usam principalmente trabalhadores provenientes da China e de outros países asiáticos. Em resultado, poucos angolanos têm beneficiado destas oportunidades de trabalho.
Segundo Alcides Sakala, porta-voz do principal partido da oposição em Angola, a UNITA (União para a Independência Total de Angola), o fosso entre aqueles que têm e os que nada têm continua a aumentar. "O que vemos é que uma pequena minoria de pessoas fica mais rica enquanto que a maioria do povo está a ficar cada vez mais pobre," disse à IPS.

Alcides Sakala (foto Net)
O fosso entre ricos e pobres é evidente por todo o lado, especialmente em Luanda, onde mendigos deambulam perto dos apartamentos no centro da cidade com rendimentos que podem elevar-se a mais de 25.000 dólares por mês, e onde as vítimas de minas ajudam os motoristas a parar os seus Veículos Utilitários Desportivos (SUV) excessivamente grandes, na esperança de ganhar alguns tostões para comprar uma refeição no fim do dia.
De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas (IDH) - que mede a riqueza, educação e esperança de vida dos cidadãos - Angola mostra poucos sinais de melhoria, apesar da sua riqueza petrolífera.
O Índice começa no zero, que significa desenvolvimento humano nulo, e acaba no um, que significa pleno desenvolvimento humano.
Na última contagem, o IDH de Angola era 0.484, comparado com 0.670 na África do Sul, 0.664 no Botswana e uma média de 0,541 em todos os países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Embora haja dinheiro suficiente no país para construir hospitais privados para aqueles que podem pagar as respectivas tarifas, a maioria dos angolanos tem dificuldade de ter acesso até mesmo a cuidados de saúde básica, com falta de pessoal qualificado e de infra-estruturas, especialmente nas zonas rurais.


E,apesar de as escolas privadas cobrarem propinas astronómicas para educar os filhos da elite, um terço das crianças do país está fora do sistema escolar. Muitas ficam em casa para trabalhar e ajudar as suas famílias.
Douglas Steinberg, director da organização Save The Children em Angola, explica: "Existe um enorme fosso entre os ricos e os pobres aqui, e muitas pessoas não estão realmente cientes da enorme riqueza de Angola. As pessoas que vivem nas zonas rurais ou nas zonas centrais do país não vêem as plataformas petrolíferas offshore, não sabem qual é a enorme quantidade de dinheiro existente nem vêem as novas construções nem os carros com preços exorbitantes nem os restaurantes caros."
"Penso que isto faz parte do problema - se as pessoas não sabem como o país é rico, é mais difícil exigirem responsabilidades do governo a nível de como este gasta o dinheiro," acrescentou.
No seu Relatório Económico para 2008, o CEIC apontou a contínua existência de pobreza, um contraste directo com a crescente riqueza do país.
"O PIB aumentou cinco vezes entre 2003 e 2008 - de 959 para 4961 dólares em 2008," refere o relatório. "Mas, apesar disso, a grande maioria da população continua a viver num estado de pobreza permanente, sendo obrigada a sobreviver com pouco mais de dois dólares por dia."
O fosso aumenta
A irmã Domingas Loureiro dirige uma instituição de caridade que ajuda famílias pobres no sobrelotado bairro do Cazenga, um labirinto de casas construidas pela população, sem electricidade e com acesso reduzido a água e saneamento.
"As pessoas aqui lutam para sobreviver, e muitas crianças são forçadas a trabalhar a partir de uma tenra idade. A realidade da vida e o elevado nível de pobreza nestes bairros não é uma situação que o governo conheça em profundidade," disse.
No entanto, o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, afirma conhecer a pobreza no seu país. Em Março, durante um discurso que proferiu ao lado do Papa Bento XVI, Eduardo dos Santos, há trinta anos no poder, reconheceu os "desafios tremendos" que o país enfrenta para reduzir a pobreza e o desemprego, e prometeu um investimento contínuo para resolver estes problemas.
Durante a visita da Secretária de Estado dos Estados Unidos, Hilary Clinton, que esteve em Angola em Agosto, o ministro das Relações Exteriores, Assunção dos Anjos, foi solicitado por um repórter do Washington Post a explicar como é que o maior produtor de petróleo em África tinha uma pontuação tão baixa em termos do IDH.
O ministro respondeu dizendo: "Dêem-nos tempo para resolver este problema. Temos mecanismos, temos vontade e temos as estruturas para podermos garantir ao nosso povo que pode viver em condições dignas. Infelizmente, a pobreza não pode ser resolvida com uma varinha mágica."
Para os cerca de cinco milhões de angolanos que vivem nos bairros de lata de Luanda, uma varinha mágica pode parecer a sua única esperança.

A história da rainha Jinga



A história da rainha Jinga tirada dos livros de Fernão de Sousa
HISTORIA DA RAINHA JINGA MBANDI, D. ANA DE SOUSA.

Tendo morrido em princípios de 1617 o rei Mbandi a Ngola Quiluanji ou, melhor, Jinga a Mbandi a Ngola Quiluanji, como já ficou dito em nota no capítulo quarto, deixou ele um filho já homem, Ngola Mbandi, três filhas já mulheres, e um filho ainda creança. Era a este que pertencia reinar, mas não poude ser eleito por ser pequeno e por isso foi eleito o mais velho. Tratou Ngola Mbandi logo depois de ser rei, de fazer matar seu irmão, para ele nunca lhe poder tirar o logar; matou também muitas outras pessoas, que não aprovaram a sua eleição, e um seu sobrinho, filho de sua irmã mais velha, Jinga.

As suas três irmãs eram: a mais velha Jinga Mbandi, que foi mais tarde a famosa rainha Ana de Souza, a segunda chamava-se Punji, que depois de baptisada teve o nome de Engracia e a terceira chamava-se Mucambo, que depois de baptisada teve o nome de Barbara. Ngola Mbandi reinou até aos primeiros meses do governo do Bispo D. Fr. Simão Mascarenhas, que governou desde 10-8-1623 até 22-6-1624. Quando em 27-8-1617, o governador Luis Mendes de Vasconcelos chegou a Luanda, estava o rei Ngola Mbandi em paz connosco.
Este governador, pouco tempo depois da sua chegada a Luanda, tendo ali deixado o seu filho Francisco Luis de Vasconcelos, foi visitar os presídios ao interior e vendo que o de Ango, que Bento Banha Cardoso sendo governador (governou de 16-4-1611 até princípios de Outubro de 1615) tinha levantado, não estava em bom local, o desfez e foi levantar outro mais perto do Lucala, o qual ele denominou de Nossa Senhora da Assunção de Ambaca. Não se pôde hoje saber onde era o de Ango; parece que era pelo Lucala acima 7 ou 8 léguas, desviado de Massangano, na região que chamavam a liamba.
O novo presídio de Ambaca era em terras do rei Ngola Mbandi. Foi isto a causa de ser derramado muito sangue, tanto dos nossos como dos do rei. Este protestou contra a fundação do dito presídio, mas o governador não o atendeu. Veja-se a nota sobre isto no capítulo oitavo, da primeira parte, a qual vou aqui analisando.
Logo após a retirada do Governador, foi o presídio estreitamente cercado; porém os nossos soldados se defenderam com esforço, sofrendo muito por ser dificultoso de socorrer. O Rei foi vencido e queimados os Paços reais (!!) Depois disto invernaram ali por causa das muitas águas. Ora sendo as primeiras chuvas em Outubro e Novembro, não podia ter sido tudo o que fica dito em 1617; deve-se pois referir às chuvas de 1618.
A guerra ao soba Cassanji deve portanto ter sido feita em Maio ou Junho de 1618, e a seguir as muitas victórias e assalto à cidade do Rei (Ngola Mbandi), que fugiu sendo-lhe apanhadas sua mãe, suas mulheres e muitos escravos. O governador ainda em 1620 continou a guerra contra o rei e lhe cativou a sua principal mulher com outras pessoas de sangue real, que foram tratadas com muita cortezia e respeito; e não achando o nosso exército resistência em todo aquele Sertão, correu aquelas províncias deixando-as desertas de habitantes.
O rei retirou-se para as ilhas do Quanza e ahi ficou vivendo. O Jága Cassanji continuou ainda a guerrear o rei e apossou-se depois de algumas terras dele.
Tendo chegado em 12-10-1621 a Luanda o governador João Correia de Sousa, foi ele sabedor de tudo o que se tinha passado, e que a guerra ao rei fora injusta e que ele estava refugiado nas ilhas do Quanza.
Nesta altura há divergencia na história contada por Fernão de Sousa e o constante de outras fontes. Fernão de Sousa diz: (no I tomo fl. 326 ao fundo e no II, fl. 30) que João Correia de Sousa, logo após a sua chegada a Luanda, mandou ao rei o padre Dionísio Faria Barreto, pessoa categorisada, filho da terra que falava bem a língua d'ali, e com ele (um tal) Manuel Dias para o convencerem a sair das ilhas e a oferecerem-lhe a paz da parte do governador.

O rei aceitou a oferta com certas condições, sendo a principal que o presídio de Ambaca fosse retirado onde estava antes ou para o rio Luinha, porque, situado como estava em terras de Dongo, um dia de jornada da sua povoação e morada, não se poderia o rei conservar ali estando o presídio sobre ele; que o governador havia de desalojar de Dongo, o Jaga Cassanji, inimigo comum, o qual lhe fazia guerra; que lhe desse o governador os sobas e quixicos de sua obediência (escravos e prisioneiros de guerra) que lhe pertenciam e que Luiz Mendes de Vasconcelos lhe tinha tirado, pois não podia ser rei sem vassalos.
Veio a Luanda Manuel Dias a dar conta ao governador do que o rei queria e pedia, ficando com ele o padre Barreto. João Correia de Sousa fez junta formada do Vigário Geral, Religiosos, Camara e oficiais e todos foram concordes em que o presídio de Ambaca fosse retirado de lá e feito outro no Luinha. Foi cópia do assento da Junta levada pelo capitão Bento Rebelo ao rei para o padre Barreto lh'a ler na sua língua; ficou aquele muito contente, mas a mudança não se fez. Estavam as cousas neste pé quando em 2-5-1623 saiu João Correia de Sousa de Luanda.
Sabendo o rei da sua saída e que no seu logar ficara o capitão-mór, Pedro de Sousa Coelho, mandou a Luanda ao governador sua irmã mais velha, Jinga Mbandi, com uma embaixada a pedir o mesmo que já tinha sido pedido a João Correia de Sousa. Pedro Coelho fez nova Junta a qual concordou em que devia ser cumprido o que fora resolvido na primeira Junta e mais que o governador, capitão-mór, partisse a desalojar das terras de Dongo o Jaga Cassanji, que continuava a estar nelas, (Livros de Fernão de Sousa, tomo I, fl. 326 e II. fl. 30). Como se vê, Fernão de Sousa diz que Dona Ana veio a Luanda no tempo do governo de Pedro de Sousa Coelho e não fala em ela ter sido ali baptisada.

Luanda século XVII (imagem Era Uma Vez...Angola, Paulo Salvador)
Mas é certo que ela veio a Luanda em fins de 1621 ou princípios de 1622, sendo governador João Correia de Sousa, e ali foi baptisada tendo por padrinho o próprio Governador. Di-lo Cavazzi na pág. 496 e 497 e este autor neste ponto merece fé, pois viveu junto de D. Ana de Sousa, já depois de convertida, desde fim de Outubro de 1658 a meado de Junho de 1659 e depois desde Janeiro de 1662 até 17-12-1663, data em que ela morreu.
Ela própria na sua muito extensa carta de 13-12-1655, dirigida ao governador Luís Martins de Sousa Chichorro, fala acidentalmente de João Coreia de Sousa e lhe chama seu padrinho. Esta carta vai inteiramente copiada na grande nota sobre esta rainha, no capítulo décimo da primeira parte do II tomo do autor. Não posso explicar a omissão em Fernão de Sousa não contar que ela foi baptisada em Luanda em 1622 e dizer que ela veio em 1623. Viria ela duas vezes, sendo a primeira com Manuel Dias, e teria ficado em Luanda e a resposta do governador teria ido por Bento Rebelo, pó ela ter ficado em Luanda - e sendo a segunda ao governador Pedro Coelho? Talvez esta seja a melhor interpretação a dar aos factos.
É dito por Cavazzi que ela veio a Luanda com uma embaixada e é ele que conta o que se passou em Luanda na audiência, facto que constitui um lindo episódio, que os catálogos sem dúvida traduziram de lá. Não resisto a não o transcrever aqui, pois Cadornega não o conta. Eis o que os catálogos dizem:
GOVERNO DE JOÃO CORRÊA DE SOUZA
«Tomou posse João Corrêa de Souza, no anno de 1621, e logo no principio do seu Governo, teve huma memorável embaixada, digna de individual narração. Assim que Gola Bandi soube, ser chegado novo Governador, desejando reconciliar-se com os Portuguezes; e não ignorando o máo conceito, em que estes o tinhão, pela sua pérfida conducta; com notável sagacidade, nomeou para embaixatriz, a sua Irmã Ginga Bandi, em cuja viveza e desembaraço, pôz toda a esperança. Vivia aquella Senhora, separada do Irmão, a quem tinha mortal ódio, por lhe ter morto o filho; e elle que bem o sabia, querendo traze-la ao seu intento; mandou significar-lhe o grande arrependimento, que lhe causava aquelle arrebatado procedimento; e juntando affectuozas rogatívas e largas promessas; conseguio que ella se encarregasse da comissão Ginga Bandi, occultaado o rancôr que conservava no peito, até ter opportunidade de o manifestar; preparou-se com presteza, e seguida de huma comitiva numerosa, partio para a cidade de Loanda. Nella foi recebida, pelos Magistrados, e Pessoas principaes; e conduzida, por entre alas das tropas, e com descargas de mosquetaria, ás cazas de Rodrigo de Araújo, destinadas para seu apozento; onde foi á custa da Fazenda Real, com a decência e grandeza devida á sua pessôa.
No dia da audiência, com hum luzido acompanhamento de ambos os sexos, se dirigio á Caza do Governador; e sendo introduzida na sala, observando haver alli huma só cadeira, e defronte deia, duas almofadas de veludo franjadas de ouro, sobre huma rica alcatifa; sustendo-se algum tempo, sem proferir palavra, voltou o rosto para uma das suas escravas; foi esta immediatamente servir-lhe de banco e assentando-se sobre ella, assim esteve todo o tempo que durou a cerimonia.

(foto Net)
Este repentino accidente enchêo de admiração a todos; mas ainda maior foi o assombro, quando ouvirão fallar, e discorrer, huma mulher creada entre os bárbaros e feras, com tanta eloquência, e propriedade de termos, que parecia couza sobrenatural. Todo o seu discurso se encaminhou, a desculpar as inconstancias do Irmão; a persuadir, que Gola Bandi perseveraria na nova reconciliação que pretendia; e a expor as razoens, porque se lhe devia conceder a paz, que pedia.
Respondêo-lhe João Corrêa, que para maior firmeza da alliança, devia seu Irmão, reconhecer-se vassallo d'El Rey de Portugal, e pagar um tributo annual: a isto, com prompta vivacidade, replicou a embaixatriz; que semelhante encargo, só poderia impôr-se, a quem tivesse sido conquistado; e nunca a hum Príncipe Soberano, que procurava a amizade, de outro seu igual. Emfim concedida e ajustada a paz, sem mais condição, que restituir o dito Rey, os escravos fugidos; e huma reciproca assistência, contra os inimigos de ambas as coroas; se concluio esta notável função.
Ao despedir-se, hindo o Governador accompanha-la, reparou que a negra, que lhe servira de cadeira, não se movia da extravagante postura em que estava; e pedindo á embaixatriz, a mandasse levantar, respondêo-lhe ella rindo-se, que ficava alli a sua escrava, não por inadvertência, mas porque lhe não era licito, tornar a uzar de semelhante assento.
Adquirio Ginga Bandi, pela delicadeza e sublimidade de seu juízo, a geral estimação; e persuadido João Corrêa, que hum tão raro talento, poderia com facilidade, capacitar-se das verdades da Religião Catholica, lhe tocou algumas vezes nesse ponto; e observando que ella curiosa, ou abalada; queria conhecer os mistérios da nossa Santa Fé; a fêz instruir nelles por hábeis Eccleziasticos, e percebendo-os ella logo, com a sua natural clareza de engenho; tocada pela Mão de Deus, pedio o Baptismo; e aos 40 anos de idade, no anno de 1622 se lhe administrou o referido Sacramento, na Sé Cathedral, com grande solenidade, e concurso da Nobreza e povo; sendo Padrinho o Governador, e tomando ella o nome, de D. Anna de Souza.
Querendo passar á rezidencia de seu irmão, lhe mandou João de Souza, magníficos regalos e prezentes, e a despedio com as mesmas honras e obséquios, com que fora recebida: chegando a Matamba, dêo conta a Gola Bandi, do êxito da sua embaixada; fallou-lhe muito nas attençoens que devia aos Portuguezes; e participou-lhe que se achava Catholica, e quanto desejava, que elle seguisse o seu exemplo.
Alegre o Rey de Angola, com o bom resultado da missão, escrevêo logo agredecido, ao Governador, e expondo-lhe a vontade que tinha de imitar sua Irmã; lhe pedia hum sacerdote, para o catequizar e instruir.
Deferio João de Souza a sua supplica, remettendo-lhe promptamente o Padre Dionizio de Faria, homem preto, natural do mesmo reino de Matamba, de exemplar vida e costumes; mas não acertou na escolha; porque parecendo-lhe que agradaria a Gola Bandi, em lhe mandar hum compatriota, acontecéo o contrario: pois logo que o Rey vio o Clérigo, com desprezo e ignominia o fez lançar fora da sua presença; dizendo, não podia ser Baptismo, o que administrasse o filho de huma sua escrava; e tomando por affronta, a innocente desigualdade havida entre elle e sua Irmã; como furioso e louco, com vários desatinos provocou a sua ultima ruína.
Sentindo-se o Governador, mais do insulto feito ao sacerdote que da própria desattenção, perseguio aquelle bárbaro Rey, com tão dura e viva guerra, que destruído, aborrecido, e desamparado dos mesmos vassallos, foi refugiasse em huma pequena ilha do Coanza, onde vivendo em continuo susto, de ser entregue aos Portuguezes, veio a cahir nas garras da morte, tragando-a em hum veneno, que lhe fez propinar, sua Irmã D. Anna de Souza, em vingança de lhe ter morto o filho.
Quiz o Jaga Cassange aproveitar a occazião, em que os nossos andavão occupados, com as revoltas de Gola Bandi; e roubando os Pumbeiros, que estavão em seus estados, e aquelles que passavão por elles, para outras partes do Sertão, causou considerável prejuiso aos nossos negociantes, mas por ultimo, custou-lhe cara a ouzadia: impedindo-lhe primeiro, João Corrêa, a comunicação com a Quissâma, para não ser soccorrido, ordenou a Roque de São Miguel, fosse com o exercito, que acabava de desbaratar ao Angolense, tomar satisfação do atrevimento do Cassange; o qual pagou sua temeridade, com tal derrota; que bastarão os captivos que lhe fizérão, para resarcir em tresdobro o damno que havia cauzado.»
Até aqui o que dizem os catálogos; mas, como bem se vê, pelo que fica dito nesta nota, os catálogos erram dizendo:

1.º - Que o rei foi o primeiro a mandar a embaixada ao governador, quando a verdade é que foi João Correia de Sousa o primeiro a mandá-la.
2.º - Que o governador pediu ao rei um tributo anual;
3.º - Que o rei pediu ao governador um padre para o catequizar e instruir; e, que tendo-lhe o governador mandado o padre Dionísio de Faria, o rei o recebeu mal e o fez lançar fora da sua presença.
4.º - Que o governador por este motivo fez viva guerra ao rei.
Como se vê na nota, é isto tudo falso. Mas continuamos com a história de D. Ana, extratada dos livros de Fernão de Sousa. Fica dito atraz que a Junta reunida por Pedro de Sousa Coelho confirmou o que estava resolvido e deliberou mais que, o próprio governador, capitão-mór, fosse desalojar de Dongo o Jága Cassanji.
Antes da partida do governador chegou a Luanda o Bispo D. Fr. Simão Mascarenhas, que tomou conta do governo, em 10-8-1623, entregue pelo Coelho. Logo o rei mandou nova embaixada ao Bispo a pedir-lhe cumprisse o que estava assente pelos seus dois antecessores e juntamente lhe mandou os autos do que estava tratado.
O Bispo concordou e mandou o Coelho, já agora só capitão-mór, a fazer guerra ao Jaga Cassangi. Pedro Coelho não o fez como devia, pois tendo-lhe o rei mandado dizer que fosse ao longo do Lucala e não pelo meio de Dongo, para não destruir alguns poucos que se começaram a juntar naquele reino, ele não o quiz fazer e, por paixões com o Bispo sobre o governo, se recolheu a Ambaca, de que resultou perder-se a ocasião que fora de grande efeito (tomo I, fl. 326).
MORTE DE NGOLA MBANDI
Com este sucesso desconfiou o rei de tal modo e concebeu tais suspeitas, que se saiu o Padre Dionísio de Paria fugido e ficou só com ele Bento Rebelo e brevemente morreu de desgosto; e disse-se que de peçonha, que tomou, dada por sua irmã Ana, porque o rei queria assinar uma carta que tinha feito em que aceitava a paz, e deixou tudo o que possuía a sua irmã, e ao jága Caza o filho que tinha (que era pequeno) por lhe parecer que estava mais seguro com ele.
Tanto que a Jinga se empossou do governo, pediu ao jága o sobrinho e, por dadivas que fez, aquele lh'o entregou, e, tendo-o em seu poder, o matou, para ficar ela sempre no poder foi opinião geral dos seus que lhe comera o coração e lançara o seu corpo no Quanza.

O Bispo corria bem com a Jinga, mas sem feiras nem resgates. Neste estado encontrou Fernão de Sousa esta questão quando em 22-6-1624 tomou conta do governo. A Jinga escreveu-lhe a pedir-lhe que cumprisse o que lhe prometera João Correia de Sousa, e que ela sairia logo das ilhas em que estava e levantaria igrejas e mandaria pedir padres da Companhia (de Jesus) para se fazerem cristãos todos os seus vassalos e que abriria feiras correntes como d'antes.
Fernão de Sousa procurou por meio de Bento Rebelo, que estava com ela, que abrisse as feiras e que se passasse para a terra firme onde os reis costumavam estar, que era Avunga e Cabaça, e desse entrada aos padres da Companhia, certificando-a que por este meio alcançaria o que lhe convinha; que não podia mudar o presidio de Ambaca sem ordem régia e que ia escrever a D. Filipe; assim também não podia entregar-lhe os sobas e quizicos que Luís Mendes de Vasconcelos tinha tomado ao irmão.
Fernão de Sousa em carta de 28-9-1624 (tomo I. fl. 304, ao fundo) relatou tudo a D. Filipe e acabava por lhe dizer - «que, posto que estava assente por João Correia de Sousa, pela Camara e por outras pessoas e por Pedro de Sousa Coelho como governador, e pelo Bispo servindo de governador, por ser mais conforme ao que convém para a Real fazenda de V. Mg.de, não resolvi a faze-lo sem ordem de V. Mg.de por não vir no meu regimento, pelo que me fará  V. Mg.de mercê em mandar a que devo seguir nesta matéria, sobre o que tenho escrito a  V. Mg.de por outra via (tinha sido em 15-8-1624, tomo I, fl. 298, v.), porque não se mudando o presídio não haverá nunca feiras nem se continuará no cristianismo, que é o que   V. Mg.de mais encomenda».
Começaram então a fugir muitos escravos dos portuguezes para ela e ela aceitava os. O governador mandou-lh'os pedir e ela, depois de muitos recados e respostas por Bento Rebelo, que os levou, e de mais um tal Gaspar Teixeira e o língua da terra Domingos Vaz, respondeu que entregaria os escravos se lhe mandassem padres da Companhia e que se ela os não entregasse lhe podiam fazer guerra.
Foram os padres Jeronimo Vogado e Francisco Pacconio até Ambaca com ordem de não passarem adeante enquanto ela não entregasse os escravos. Ela não entregou nem um só escravo. Por essa razão saiu Bento Rebelo de junto dela (das ilhas) e os padres de Ambaca para Luanda.
O governador ainda tentou convence-la a que corresse connosco como devia, fazendo igrejas e abrindo feiras, certificando-a que só queria dela paz e comercio e bem do reino. Ela continuou revoltando os sobas nossos amigos e os quimbares (pretos forros de guerra que estavam subordinados aos presídios) contra nós.
PRIMEIRAS HOSTILIDADES DA JINGA
O soba Aiidi Quiluanji, parente mais chegado do Rei Ngola Mbandi, amigo nosso e muito confidente, quiz-se avassalar com outros sobas nesta ocasião e por ser inimigo dela, seu vizinho e fronteiro. Era o senhor do sitio das pedras de Maupungo, muito defensável para o que sucedesse; Fernão de Sousa admitiu-o e mandou-o ir a Ambaca para por ele saber dos desígnios da Jinga e que sobas estariam comnosco, para se prevenir contra o perigo que o ameaçava.
Pela ida de Aiidi a Ambaca declarou-se logo a Jinga inimiga dele e dos outros que tinha levado em sua companhia. Isto deve já ter sido em meados de 1625. A Jinga mandou-o guerrear e ele pediu socorro ao capitão de Ambaca, que lh'o mandou pelo capitão de infantaria, Estevão de Seixas Tigre. Por desordem deste em não ter observado o regimento que lhe fora dado pelo capitão de Ambaca, mataram-lhe 3 soldados e cativaram 6, que levaram á Jinga, que ela não quiz largar.
Sabendo isto, Fernão de Sousa fez Junta em Luanda e foi assente que se lhe devia dar guerra para castigo. O governador mandou o capitão-mór Bento Banha Cardoso (que já em Agosto de 1625 estava em Luanda) fazer a guerra e que antes fosse Sebastião Dias Tição fortificar Ambaca com ordem de recolher o capitão Tigre e os soldados cativos, se a Jinga os désse.
Ela não deu os soldados. Como ela tinha guerra em campo e se ia fazendo poderosa de gente, partiu em 7-2-1626 Bento Banha Cardoso para a conquista em companhia do sargento-mór António Bruto, de alguma gente a cavalo e dos padres António Machado e Francisco Pacconio, para verem se a reduziam pela pregação; foram pelo Quanza até Massangano. Dali se guio em 8 de Março o capitão-mór até ás terras do soba Quiluanji Ca Caçonda. Para lá mandou a Jinga os seus mucunjis com uma carta datada de 3-3-1626, na qual ela se mostrava humilde e se confessava vassala nossa e pedia desculpa da tomada que tinha feito ao Tigre, perto de Dongo. Assinava-se  Ana, Rainha de Dongo.
O Cardoso respondeu-lhe do mesmo local, em carta de 15-3-1626, convencendo-a a que desse licença aos quimbares que viessem aos seus senhores, (tomo I, f). 230-231). Não acedendo ela, foi o Cardoso atacá-la ás ilhas. Por carta de 30 de Junho avisou ele o governador que estava sobre as ilhas, das quais três eram de mais força; que tinha falta de mantimentos e muitas bexigas na gente preta e que começavam a dar nos brancos; que entre mortos e doentes seriam quatro mil.
A Jinga os atacou de noite, havendo mortes na gente preta e frechadas em brancos de que morreu um deles. António Bruto e Lopo Soares Laço, que também para ali tinha ido, foram cada um em sua lancha atacar a ilha de Mapolo, e, posto que houve resistência, foi entrada pelos nossos, havendo grande presa de gente e de alguns mantimentos, (tomo I, fl. 233). Por carta de 15-7-1626 Bento Banha Cardoso avisou que em 12 entrou na ilha em que estava a Jinga, mas ela tinha fugido para a outra banda da Tunda. (fl. 233, v.). Neste ataque ás ditas ilhas morreu de bexigas o soba Aiidi Quiluanji.
ELEIÇÃO DO PRIMEIRO REI DE DONGO, OU DE PUNGO-A-NDONGO, COMO DEPOIS FOI CONHECIDO.
Acabada esta guerra, retirou-se Bento Banha Cardoso para o soba Quiluanji Ca Caçonda, onde estava antes. Ali, sem ordem do governador, fez o capitão-mór eleger para rei de Dongo, em logar do rei Ngola Mbandi, o soba também nosso amigo, Ngola Aiidi, que era meio irmão do falecido Aiidi Quiluanji e era a quem pertencia o reino. A eleição foi em 12-10-1626, estando presentes os dois padres Jesuítas, António Machado e Francisco Pacconio, sabendo este bem a língua ali falada (o kimbundo).

O novo rei prometeu dar cada ano á Fazenda Real cem escravos, em sinal de vassalagem. Fez-se auto de tudo, tendo o capitão-mór (Bento Banha Cardoso) aprovado a eleição em nome de D. Filipe III. Aclamado o novo rei, foi ele viver com os ditos dois padres para as Pedras de Maupungo, que então começaram a ser a corte dele, e que por isso foi intitulada por nós Rei de Pungo-a-Ndongo.

Pungo-a-Ndongo, 1890 (foto Memórias de Angola, João Loureiuro)
Para efectivar a sua vassalagem pôz o governador em Ambaca o capitão-mór Cardoso e em Pungo-a-Ndongo o capitão Bento Rebelo Vilas Boas para com o padre Pacconio o advertirem das suas obrigações. O rei mandou a Luanda um seu filho fazer-se cristão e, em 31-5 (Domingo de S.m* Trindade) de 1627, o vigário geral, Bento Ferraz, o baptisou na igreja matriz com o nome de Francisco, sendo o governador padrinho.
O rei e a rainha foram baptisados em 29-6-1627 pelo padre Pacconio que pôz ao rei o nome de Filipe, em honra de D. Filipe III, sendo padrinho por procuração o governador, representado pelo capitão Bento Rebelo. Com ele se baptisou uma filha e uma irmã e logo se deu o primeiro pregão para o seu casamento com a rainha, (tomo I, fl. 338, ao fundo).
MORTE DE BENTO BANHA CARDOSO E SUA SUBSTITUIÇÃO POR PAIO DE ARAÚJO DE AZEVEDO.
A Jinga foi-se refazendo das perdas que tivera e, ligando-se ao jága Caza, veio atacar o novo rei. Pela obrigação que tínhamos de o defender se assentou que a essa defeza fosse Bento Banha Cardoso, o qual estava em Ambaca e tendo adoecido quiz vir curar-se a Luanda; saiu pois de Ambaca em companhia do padre Francisco Velho da Silva; chegando ao Lembo quiz descançar no arimo de Pêro de Carvalhaes Dantas e, carregando a doença, morreu no dito arimo em 8-8-1628; foi levado a Massangano e ali o enterraram com a decência que convinha. Ele tinha deixado no seu logar o sargento-mór António Bruto.

Fernão de Sousa nomeou para o dito logar Paio de Araújo de Azevedo, de que lhe deu provisão em 23-8-1628 (tomo I, fl. 253 ao alto e tomo II, fl. 129) e saiu de Luanda em 9-9-1628, indo pelo Quanza para Massangano. (tomo I, fl. 253, v.). Parece que houve demora em atacar a Jinga, pois só em 25-5-1629 é que Paio de Azevedo a foi atacar ao Quilombo, tendo ela fugido. O capitão de infantaria, Diogo de Carvalho, com a sua companhia, e António Dias Muzungo, tandala, capitão preto, com a sua guerra preta, por ordem do capitão-mór, a seguiram, sem a poderem alcançar; mas no mesmo dia tomaram Cambo e Quifunji, suas irmãs, e todos os sobas e os macotas que ela tinha consigo, conseguindo ela fugir também desta vez.
Com esta presa se recolheu o capitão-mór e o tandala por ser já noite. Em 26 juntou o capitão-mór a sua gente e foi em seguimento dela. Em 27 foi sitia-la onde ela estava alojada, que era a Quina Grande dos Ganguelas. No dia 28 foi atacada, mas ela se lançou abaixo por cordas e paus.
Era tal a altura que debaixo ao cume não se ouvia falar ninguém, senão de noite. Em 29 seguiram-na, mas não a puderam apanhar, tendo ela ido para os Songos, que eram antropófagos. (Tomo I, fl. 258, e 350 n." ao fundo). O capitão-mór mandou para Luanda, entregues ao capitão da guarda, Domingos Lopes de Sequeira, as duas irmãs da Jinga, uma sua tia chamada Quiloji e onze pessoas entre sobas e macotas. Em Luanda, aonde chegaram em 20-7-1629, foram recebidas com grande aparato pelo governador, que as entregou a D. Ana da Silva, mulher do capitão-mór.

Este entrou em Luanda em 8-11 do mesmo ano. (fl. 260 a 263, v, ao fundo). Passado isto confederou-se a Jinga com o jága Cassangi, inimigo nosso e muito poderoso, que trazia 80 mil arcos de guerra em campo e, depois de estar com ele, este a mandou com guerra sua meter nas ilhas, com que se levantaram novos movimentos e fez repreza nos nossos.
Neste tempo já D. Manuel Pereira Coutinho estava em Luanda, tendo tomado conta do governo em 4-9-1630. O que ela agora pretendia era ser aceite como rainha de Dongo ou então uma das suas Irmãs. (Relaçfio de 2-3-1632, no tomo II. fl. 30 e seg.). Dos livros de Fernão de Sousa nada mais se pôde saber, pois nada relatam d'aqui para deante. Por este extrato do muito que em varias cartas Fernão de Sousa diz para D. Filipe III, se conclui que os culpados da rainha Jinga nos ter hostilisado durante vinte e oito anos, cometendo e deixando ou fazendo cometer os maiores crimes, foi primeiramente Luís Mendes de Vasconcelos pela guerra injusta e grandes roubos que fez a Ngola Mbandi; os outros governadores tiveram grande culpa, mas especialmente Fernão de Sousa a teve, por causa do seu excessivo escrúpulo em não sair fora do seu regimento, podendo sair legalmente fora dele, pois os autos das Juntas o defendiam plenamente.
A Jinga assistia-lhe o direito e a justiça e tudo isto foi calcado. A precipitação de Bento Banha Cardoso em querer eleger rei foi a causa das primeiras hostilidades dela, que dahi por diante se lançou abertamente no caminho da grande inimisade contra nós, que se exacerbou no tempo da ocupação holandesa, época em que, unida com eles, se ia perdendo Angola de todo.
Em 19-10-1641, o Conselho Ultramarino censurou o procedimento de Fernão de Sousa em ter tirado a realeza á Jinga. Veja-se a nota no fim do capitulo 5.* da 2.ª parte deste tomo. Pelo que fica dito se vê que Pungo-a-Ndongo, não tinha importância antes de para lá ir viver o novo rei que se chamou Filipe. A residência dos reis era Cabaça, que distava duas léguas de Pungo-a-Ndongo, e Avunga que não se sabe onde era. Também se vê bem que a rainha D. Ana de Sousa nunca lá esteve e que portanto não fugiu d'ali, obrigada por quemquer que fosse. Ao viajante que vai a Pungo-a-Ndongo é-lhe mostrada uma curiosa pegada que dizem, ser da rainha Jinga. É uma lenda sem fundamento algum.
ETIMOLOGIA DO NOME PUNGO-A-NDONGO
Pungo-a-Ndongo, antes de para lá ir morar o rei Filipe, tinha o nome de Matadi Maupungo (Matadi ma upungu), que quere dizer Pedras Altas.
Fernão de Sousa chama-lhe Pedras do Maupungo; Cavazzi Pedras de Maopungo, Upungu significava altura; esta palavra desapareceu ficando só no nome de Pungo-a-Ndongo.
No Congo: Mpungu é altura.
Era portanto: Matadi ma upungo.
Pedras de altura.
Pedras Altas.
Esta maneira de formar adjectivos é ainda hoje usada.
Assim, em Ambaca: Matadi ma unene.
Pedras de grandesa, Pedras grandes.
Como se vê: o ma não fazia uma palavra com upungo era o genitivo de matadí.
Em 1680 Cadornega diz só: Pedras do Mapungo; já tinha caido o u de upungo.
A queda do prefixo u das palavras que o têm no singular, quando formam o seu plural, dá-se em muitas.
Assim, ainda hoje em Ambaca:
Makembu, enfeites, por maukambu;
Mahaixi,
doenças, por mahuaxi;
Mata,
espingardas, por mautas, e outras muitas.
Fonte: História da Raínha Jinga Mbandi, D. Ana de Sousa, está descrita no livro História Geral das Guerras Angolanas, 1680, António de Oliveira de Cardonega, Tomo I, Agência Geral do Ultramar, Lisboa 1972, páginas 154 a 167.

A CIDADE DE LUANDA



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O Povo
Voltando às generalizações, há algumas caraterísticas gerais entre os angolanos que tornam a estada e as viagens pelo país bastante agradáveis. As pessoas têm habitualmente um fantástico sentido de humor e uma gargalhada nunca está longe. É muito refrescante encontrar um povo que sabe brincar com a sua própria situação. Essa relativização ajuda a ultrapassar as dificuldades do dia a dia e é um sinal de inteligência. O humor está presente em tudo à nossa volta, das conversas nos botequins às letras das músicas. Outra caraterística muito positiva dos angolanos é a hospitalidade. Ser convidado para casa de alguém acontece com muita facilidade. Daí a essa pessoa nos levar a casa de outra, e por sua vez outra e outra, é a coisa mais normal. Ninguém fica admirado por alguém aparecer com um estranho para o almoço, há sempre um prato a mais para qualquer eventualidade.
 
Como a maior parte dos africanos, os angolanos respeitam muito os mais velhos. Qualquer falta de respeito para com uma pessoa mais velha é muito mal vista. Geralmente são carinhosamente chamados de tio, tia, kota, mais velho, mais velha, avô ou avó. Existe uma hierarquia etária implícita nos contactos sociais. As crianças estão no degrau mais baixo e, à primeira vista, ninguém lhes parece ligar muito. Não costumam fazer patifarias nem falar muito quando estão acompanhadas por adultos. É perfeitamente normal ver uma criança sentada ao lado ou ao colo de sua mãe ou completamente sozinha, num transporte público qualquer durante uma viagem de muitas horas, sem se irritar e até sem falar. Não quer dizer que elas sejam acanhadas ou reprimidas. Basta reparar nessa mesma criança alguns minutos depois com os seus amigos na rua para a ver brincar, com um brilho nos olhos e às gargalhadas. Mas como são as pessoas que vamos encontrar em Angola, depois de sair do Aeroporto 4 de Fevereiro? Nos próximos parágrafos, segue uma curta descrição de alguns tipos de angolanos que encontrará de certeza.
 
O motorista de candongueiro
É fácil detetar esta personagem em qualquer parte de Angola. As carrinhas Toyota Hiace, pintadas de azul e branco, são omnipresentes. O motorista de candongueiro tem uma expressão facial praticamente imutável face a qualquer acontecimento. O stress do trânsito horrível de Luanda e os buracos do tamanho de um carro em algumas estradas na província não lhe afetam minimamente a calma. As regras de trânsito são para os outros, e não é em vão que se diz em Angola que só bate num candongueiro quem quer. Eles é que não param. É a nós que compete decidir se queremos amolgar o carro ou ser atropelados. A maior parte dos motoristas de candongueiro gosta de pôr a música muito alto. Geralmente só baixam o som para atenderem uma chamada, para se rirem de uma história de um passageiro ou para darem ou receberem instruções do cobrador.


(foto Net)
 
O cobrador de candongueiro
É a figura que grita o nome do destino do candongueiro em alta voz. «Congolenses praça, Congolenses praça», «Mutamba, Mutamba» ou «aeroporto, aeroporto» devem ser palavras que continuam a sair da boca desses indivíduos, mesmo durante o sono. Normalmente têm um maço de notas, bem ordenadas por valor, dobrado a meio ao longo da nota, entre o indicador e o anelar, passando por baixo do dedo do meio. Estas figuras estão habituadas a ficar em posições de fazer inveja a muitos contorcionistas entre a porta, as imbambas e os joelhos dos passageiros. São geralmente muito bem-dispostos e enérgicos, mas a boa disposição pode muito rapidamente dar lugar a ameaças e gritos se um passageiro se recusa a pagar ou não tem dinheiro. Felizmente, a má disposição nunca dura muito tempo. Instantes depois, o cobrador já está a rir-se ou a contar uma história qualquer (desde que o volume de som o permita). Geralmente também não é boa ideia chamar um candongueiro por esse nome. Nem o motorista nem o cobrador gostam. Preferem a palavra «táxi», mas pode dizer Hiace.
 

(foto Net)
A zungueira ou quitandeira
É a mulher que anda pelas ruas com um cesto na cabeça e geralmente com uma criança às costas, envolta num pano. O tamanho e o peso do cesto desafiam as leis da física e da resistência humana. As mulheres vendem peixe, fruta, livros, jornais, bolachas, resumidamente tudo que se pode vender e transportar num cesto. As zungueiras ambulantes gritam o nome daquilo que vendem. «É peixe, é peixe, é peixe» é um dos gritos muito ouvidos. Frequentemente as vogais são transformadas em «é» por permitir um som um pouco mais estridente. «Quérépéé» é carapau. O grito é outro, o peixe é o mesmo. Muitas também estão sentadas à entrada dos supermercados, ou em certos pontos da cidade, como nas arcadas da Marginal de Luanda. Zungar é um verbo. «A mana Zita zunga ginguba» quer dizer que a Zita vende amendoim.
 
O roboteiro
Os roboteiros não gostam do nome com que ficaram. Dizem preferir «trabalhador». Para um estranho, nenhum dos dois explica o que possam ser na realidade. São as personagens que ficam ao pé das paragens dos transportes com uns carros de mão artesanais, feitos com uma roda e um pneu de um carro, sobre os quais montam uma estrutura de madeira. Por umas dezenas de kwanzas transportam as nossas imbambas para casa ou para o próximo transporte.
 
O pastor da igreja carismática
No rasto da altamente lucrativa Igreja Universal do Reino de Deus, vulgo Igreja Universal, surge um sem fim de igrejas «carismáticas» brasileiras, um pouco por todo o país. Até uma imitação da Igreja da Cientologia vi no meio do Moxico, irrepreensivelmente chamada Igreja de Cristo Cientista. Os pastores dessas igrejas são muitas vezes angolanos, mas por uma razão que me ultrapassa, dirigem o rebanho com um portentoso sotaque brasileiro. É comum ouvi-los até do outro lado da rua a debitar a ladainha sobre o inferno.


(foto Net)
 
O vendedor ambulante
É o jovem que vende tudo e mais alguma coisa no meio das filas de trânsito da cidade ou em qualquer lugar onde os carros não conseguem andar com mais velocidade do que uma bicicleta. O vendedor ambulante resiste a tudo: chuvas torrenciais, sol abrasador e, provavelmente, o pior de tudo: gases de escape durante a maior parte do dia. Alguns vendem «sumos e água descartáveis» e cerveja, em enormes sacos de plástico transparente, cheios de pedras gigantescas de gelo. Ganham umas poucas dezenas de kwanzas por cada bebida vendida, e por isso é raro vê-los a beberem aquilo que vendem, mesmo nos dias mais quentes. Outros vendem todos os artigos imaginários, desde pentes e carregadores de telemóveis até quadros da Mona Lisa e armários inteiros. Pode não conseguir encontrar aquilo de que está à procura num determinado dia, mas seja qual for a sua necessidade, há de aparecer à venda nas ruas das cidades angolanas.
 
O novo-rico
Se lhe aparecer um carro que nunca viu em lado nenhum por ser demasiado caro, pode ter a certeza de que lá dentro vai um novo-rico. Fatos Armani, com colete, gravata, blazer e pochette, no calor tropical sufocante? Um novo-rico. Caixas de champanhe Veuve Ciiquot para o pequeno-almoço, ou pensando melhor, a qualquer hora do dia? Novo-rico. Este espécime gosta de dar nas vistas, de mostrar a «banga». O modo como ficou rico pode não ser o mais correto ou legal e a sua conduta pública às vezes irritante e desrespeitadora dos outros, mas é sempre bom ter alguns novos-ricos como amigos, nem que seja para aproveitar uma ou outra garrafa de champanhe ou um almoço daqueles de que nunca mais nos esquecemos.
 
O pato
Nos casamentos e nas festas, há sempre algumas pessoas não convidadas. Como é normal os padrinhos do casamento terem também direito a convidar um certo número de pessoas, é relativamente fácil passar-se por convidado. Basta ter lábia. Nas festas mais informais, é ainda mais simples, porque toda a gente tem o hábito de levar sempre mais pessoas. Apesar de um pouco incómodo, o pato é uma figura imprescindível em muitas festas enfadonhas. Os patos são os que dão mais espetáculo. Animam mais um casamento do que qualquer um dos convidados. Quando todos estiverem cansados ou sem vontade de dançar, é o pato que anima a pista de dança.
 
O polícia
Mais cedo ou mais tarde, será confrontado com a polícia angolana. Como turista, os momentos em que é mais provável ser-se confrontado com a polícia é no trânsito, se cometer alguma infração (real ou não), numa operação stop, ou se estiver a fotografar. É provável que lhe peça uma «gasosa» ou, mais recentemente, um «saldo» (um carregamento do telemóvel, que custa 900 kwanzas). Geralmente é mais barato e cómodo pagar a «gasosa» ou o «saldo» do que a multa. Pode sempre insistir na sua razão, mas o tempo que vai perder e a energia que vai gastar podem não valer a pena.
 
O louco
Não se espante se de repente vir um indivíduo todo nu a atravessar uma praça qualquer, a falar consigo mesmo ou a exclamar frases incoerentes, sem que ninguém lhe ligue. Trata-se daquilo que se chama «os loucos» em Angola. São pessoas desenquadradas, geralmente sem abrigo, que vivem à margem da sociedade. As outras pessoas não se metem com os loucos e mantêm distância.
 
O lavador/arrumador/ guardador de carros
Ao estacionar, é normal que alguém o ajude e depois se proponha lavar e guardar o carro. A lavagem é relativamente barata, mas convém estabelecer o preço antes de concordar. Com a quantidade de poeira no ar, sobretudo no cacimbo, uma lavagem superficial pode ser muito útil. No que toca a guardar o carro, estes indivíduos não são tão eficazes e estão longe de ser uma garantia de não acontecer nada ao veículo.
Não há uma só Luanda, mas uma série de realidades diferentes dentro e fora da capital angolana. Há, por exemplo, a Luanda antiga: o centro colonial, com edifícios que datam, como os sobrados, de há dois séculos. Em grande parte da cidade, os reclamos luminosos do tempo dos portugueses ainda estão presentes. Deixaram de ser muito luminosos. Circular a pé nas ruas do centro antigo é um constante ziguezague por causa de passeios interrompidos e aparelhos de ar condicionado a pingar para a rua.


A imagem das ruas é marcada pela confusão no trânsito de candongueiros, Hiaces e táxis. Ainda dentro da Luanda antiga, surgiu recentemente uma série de edifícios modernos, arranha-céus e torres como a Torre do Ambiente. Neste momento, está em construção uma «nova» marginal, vários hotéis de luxo e sedes de empresas. Luanda foi considerada a cidade mais cara do mundo para expatriados pela segunda vez em 2011, mas apesar disso é possível estar em Luanda sem gastar rios de dinheiro.
A famosa baía de Luanda está a ser diminuída, e haverá mais faixas de rodagem na marginal antiga e a ampliação da ilha de Luanda. A diversão antiga na ilha está prestes a desaparecer, como já desapareceram as barracas no ponto final. Tudo será posteriormente concentrado numa outra zona da ilha.
Há quase sempre um trânsito infernal para entrar e sair da cidade, às vezes em momentos inexplicáveis, por controlo policial, um ou outro acidente, ou o presidente que vai a passar. A sul da parte antiga de Luanda, há uma nova área chamada Luanda Sul ou Talatona, com condomínios fechados, um centro comercial e casas caríssimas, mas na maior parte dos casos ainda sem ligação à rede elétrica e sem água ou esgotos. O centro comercial Belas Shopping tem várias salas de cinema. Aconselho vivamente assistir a um filme, porque ir ao cinema é sempre uma aventura, também pelos comentários das pessoas. Como qualquer centro comercial, há imensas lojas e restaurantes e também um supermercado.
Um novo centro comercial vai abrir na zona de Alvalade, numas torres novas. Terá o nome Mega. Também o Aeroporto 4 de Fevereiro será deslocado para longe da cidade dentro de poucos anos.
Em Luanda, as faltas de luz e água são perfeitamente normais e podem demorar alguns dias para serem resolvidas. Elevadores são por um lado uma coisa do passado e por outro uma coisa recente. Pelo menos os que funcionam. Muitos prédios têm um sistema com cartões para os condóminos que pagaram. Os outros que subam a pé.
A maior parte dos bairros na cidade e na periferia tem muitos musseques, bairros com construção mais frágil e descontrolada. Lá a vida é completamente diferente da vida na baixa ou nos condomínios.
 
Deslocar-se em Luanda
Há uma rede extensa de candongueiros, que vão basicamente para todo o lado. Veja a secção sobre transportes públicos para saber tudo sobre andar de candongueiro. O preço normal é 100 kwanzas, mas durante as horas de ponta pode ser necessário pagar 200 kwanzas. Nas paragens, o cobrador grita repetidamente o destino, tornando-se relativamente fácil apanhar o candongueiro certo. Para além dos candongueiros, há carros pequenos, os chamados turismos, que fazem percursos praticamente idênticos pelo mesmo preço. Se preferir conduzir em Luanda, tenha cuidado e tome em consideração as três principais regras de trânsito.
 
Luandense:
1-0 veículo maior tem sempre razão; 2 - Circule o mais à esquerda possível; 3 - A prioridade é sempre de quem chega primeiro ou com mais velocidade.
 
O que ver e fazer
Para efeitos práticos, dividimos esta secção em quatro partes: Centro (Baixa / Miramar / Cidade Alta), Ilha, Mussulo, Luanda Sul / Talatona.

A mulher mais poderosa de Portugal é angolana


A mulher mais poderosa de Portugal é angolana


Pedro Santos Guerreiro
psg@negocios.pt
Portugal tem muitas mulheres importantes, algumas são ricas, poucas são poderosas. Uma é as três coisas. Tem 36 anos e não é portuguesa. É a angolana Isabel dos Santos.
Portugal tem muitas mulheres importantes, algumas são ricas, poucas são poderosas. Uma é as três coisas. Tem 36 anos e não é portuguesa. É a angolana Isabel dos Santos.

Dizem que detesta ser tratada como "a filha de José Eduardo dos Santos". Pela maneira como está a afirmar-se em Portugal, um dia trataremos o Presidente de Angola como "o pai de Isabel dos Santos". É a nova accionista da Zon. E de muitas outras empresas. Uma atrás da outra, todas lhe estendem tapetes. Tapetes verdes, da cor do dinheiro.

A mulher mais rica de Portugal, segundo a "Exame", é Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo Silva, com uma fortuna de 731 milhões de euros. Não tem metade do poder de Isabel dos Santos. E tem apenas uma fracção do seu dinheiro: só na Galp, BPI, Zon e BESA, a empresária angolana tem quase dois mil milhões de euros. Fora o resto.

A lista dos dez mais ricos de Portugal está aliás cheia de pessoas que fazem negócios com a família dos Santos. Américo Amorim é sócio de Isabel na Galp e no Banco BIC. Belmiro de Azevedo, segundo foi noticiado, quer ser parceiro de distribuição em Angola. O Grupo Espírito Santo tem interesses imobiliários, nos diamantes, na banca. Salvador Caetano tem concessões. O Coronel Luís Silva acaba de fechar negócio para vender acções da Zon a Isabel dos Santos. Zon onde João Pereira Coutinho e Joe Berardo são accionistas.

Da lista dos mais ricos, só a família Mello e Soares dos Santos estão "fora" da geografia. O "dinheiro dos angolanos" pesa sobre muitas consciências. Soares dos Santos foi o único a assumir publicamente o desdém pelos níveis de corrupção de Angola.

Isabel dos Santos é accionista da Zon e sócia da PT. É accionista do BPI e sócia do BES. É accionista da Galp e a Sonangol é parceira da EDP. A empresária garante que não tem relações com as actividades do seu pai e da estatal Sonangol. Identificando todos os interesses em causa, as relações de sociedades portuguesas alargam-se ainda à Caixa, Totta, BPN e Mota-Engil. Dá um índice bolsista.

O que faz com que tantas empresas portuguesas implorem para fazer negócios com Isabel dos Santos? E que Isabel "jogue" em equipas rivais, concorrentes confessos em Portugal, sem um pestanejo? Só uma coisa consegue tanto unanimismo: o dinheiro. A liquidez angolana, que desapareceu de Portugal. A contrapartida de acesso ao crescente mercado angolano. Os portugueses não abrem os braços a Isabel dos Santos, abrem-lhe as carteiras - estão vazias.

O casamento entre angolanos e portugueses tem as prioridades do das famílias feudais: o interesse está primeiro, o amor virá depois, se vier. E o interesse é recíproco: os angolanos são entronizados em Portugal e na Europa; os portugueses são-no em Angola e em África. Não há equívocos, há dinheiro.

Os últimos dois grandes negócios de Isabel dos Santos em Portugal, no BPI em 2008 e na Zon em 2009, tiveram uma curiosidade cabalística: ambos foram fechados na terceira semana de Dezembro, ambos de 10%, ambos por 164 milhões. Na Zon, pagou um prémio de 26% sobre a cotação. Comprou caro? Comprou mais barato que os accionistas que estão na empresa. Comprou bem.

Isabel e José Eduardo construíram um poder tão ramificado em empresas portuguesas que só o Estado e Grupo Espírito Santo os ultrapassarão. Tanta concentração de poder é mais ameaçadora do que uma nacionalidade. Em Portugal, Isabel e José Eduardo não são Santos da casa mas fazem milagres.

DIREITOS HUMANOS EM ANGOLA


"Se eu sair à rua de noite tenho medo de me dirigir a um polícia"

DIREITOS HUMANOS EM ANGOLA
Enquanto os governantes falam de bom ambiente para o negócio, sucedem-se os relatórios de ONG que alertam para o desrespeito dos direitos humanos


(Foto Público)

NUNO SÁ LOURENÇO (texto)
MIGUEL MADEIRA (fotos)
Em Luanda
"Estabilidade política e social." A expressão tem sido repetida pelos responsáveis angolanos, ao longo da visita oficial de José Sócrates, como garantia de segurança para o investimento português no país. O ministro adjunto do primeiro-ministro de Angola, Aguinaldo Jaime, insistiu mesmo nessa ideia durante o dia de ontem. No entanto, e apesar dos progressos conseguidos ao nível dos direitos humanos com o fim da guerra civil, a sociedade civil continua a sofrer e a denunciar atropelos aos direitos do cidadão e de inteiras comunidades. O relacionamento da população com a polícia, o sistema de justiça e as prisões revelam o estado da situação.
O PÚBLICO foi ao encontro de algumas das pessoas que nos últimos tempos têm assumido um papel em Angola na defesa destes direitos. António Ventura é director executivo da Associação Justiça Paz e Democracia (AJPD), responsável pela elaboração do relatório de direitos humanos Um olhar sobre o sistema penal angolano, Agosto de 20001 Outubro de 2004, tornado público em Dezembro de 2005. "O sistema judiciário é muito lento e muito antigo. Os tribunais levam muito tempo a tomar uma decisão, forçando os reclusos a esperar durante anos", afirma António Ventura.
Os problemas do sistema de justiça angolano devem-sé à falta de meios, de recursos, decorrentes do próprio desinteresse do poder político. Quem o afirma é Lúcia Silveira, que tem avançado com algumas propostas de reforma penal. Esta activista lembra que o Código Penal é o mesmo desde 1886. António Ventura dá um exemplo da sua limitação. "Os crimes de violência contra a mulher não estão previstos no código." O relacionamento da população com a polícia, alvo de uma política de modernização, também não é o melhor.
"Se eu sair à rua de noite tenho medo de me dirigir a um polícia", assegura Lúcia Silveira. "Eu já presenciei um polícia que flagrou uma criança a roubar um pisca de um veículo, algemou-a e pendurou-a num gradeamento da rua, à espera que a carrinha da polícia passasse.
Os problemas estendem-se às condições carcerárias existentes. Lúcia Silveira dá como exemplo a Cadeia Central de Luanda: "Tem capacidade para 500 pessoas e actualmente estão lá cerca de 2000. A cadeia serve para ensinar o crime. É o que acontece se eu deixo lá ficar uma criança de 14 anos durante quatro anos, por ter roubado um telemóvel. "António Ventura esteve no Malange, esta semana. "Deixam os reclusos nas celas transitórias, onde não deviam permanecer mais de 48 horas, mais de duas semanas. "O activista acrescenta que há pessoas presas nessa região, desde 2003, só porque não há condições para se realizar o seu julgamento: "Para toda essa província há um juiz." •
O público viaja em avião fretado pelo governo
EXEMPLOS DE ATENTADOS AOS DIREITOS HUMANOS
Os despejos e a violência-policial

Os despejos e a violência policial têm sido os temas mais candentes nas últimas semanas. António Ventura afirma que a polícia "está a ser usada para fins políticos". A polícia tem forçado o abandono à força de musseques, para a sua posterior demolição, sem que o Governo explique os motivos dessas operações. "Supõe-se que por trás estão sempre altos funcionários das Forças Armadas e da polícia", afirma António Ventura. De acordo com os relatos, os despejos "são feitos sem a observância das normas e sem qualquer notificação prévia ou indemnização dos proprietários". Perante resistência, a polícia não hesita em recorrer à violência.

 
Presidente da Comissão Eleitoral contestado
A AJPD levantou dúvidas sobre a nomeação do juiz Caetano de Sousa pára presidente da Comissão Nacional Eleitoral, invocando a incompatibilidade constitucional da acumulação desse cargo com o seu posto como vice-presidente do Tribunal Supremo. "Ele analisa na comissão e remete para o Supremo, onde ele tem assento", denuncia António Ventura que questiona mesmo a imparcialidade deste juiz. Considera-o "muito próximo" do poder político.
Seropositivos estigmatizados

As ONG angolanas têm alertado para os problemas sentidos pelos seropositivos. Relatam situações de recusa de tratamento em alguns hospitais do país. Há funcionários hospitalares ainda com receio de serem contaminados. Existe um único hospital no país capacitado para o tratamento de seropositivos, obrigando os doentes a longas deslocações e a custos que muitas vezes não podem suportar.
Manifestações proibidas
O atropelo dos direitos humanos reflecte-se mesmo na liberdade de reunião, manifestação e acesso à informação. "Todas as manifestações que a sociedade civil pretenda realizar para reivindicar uma determinada situação, desde que não seja do interesse do poder são impedidas ou repelidas, usando mesmo armas de fogo ou cães", denuncia António Ventura. Os governos provinciais entendem habitualmente que têm o direito de autorização de manifestação, quando a lei apenas implica a notificação das autoridades.

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