
(Foto de John W. Adkisson/GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP)
O ex-director da CIA (Agência Central de Inteligência) David Petraeus
foi condenado nesta quinta-feira a dois anos de liberdade condicional e
100.000 dólares de multa no caso do vazamento de documentos
confidenciais entregues à sua amante, anunciou o Departamento de Justiça
americano.
Petraeus, o ex-general conhecido nos Estados Unidos como o homem que
mudou o curso da guerra no Iraque, se declarou culpado em um tribunal da
Carolina do Norte.
O ex-director da CIA e herói dos Estados Unidos evitou assim um
julgamento potencialmente embaraçoso e colocou um ponto final ao
escândalo que abalou a inteligência americana em 2012.
Se não se declarasse culpado, o militar poderia ser condenado a seis
anos de prisão – cinco deles com liberdade condicional – pela principal
acusação. Segundo os critérios de recomendação do governo, haveria a
possibilidade de acumular outros dois anos por obstrução da Justiça e
abuso de função.
O departamento de Justiça disse previamente que Petraeus reconheceu
ter dado oito “livros negros” – registos que guardava de quando era
comandante americano no Afeganistão – à sua amante e biógrafa, Paula
Broadwell.
“Hoje chega ao fim um período difícil de dois anos e meio, que são
consequência dos erros que eu cometi”, admitiu Petraeus ao sair do
tribunal em Charlotte, segundo um canal de televisão local.
“Como fiz no passado, pedi perdão a pessoas próximas e a muitas
outras, inclusive a quem tive o privilégio de servir durante anos no
governo e no exército. Quero aproveitar para agradecer a todos aqueles
que expressaram e demonstraram seu apoio”, disse.
– TOP SECRET –
Os cadernos incluíam sua rotina diária, anotações confidenciais, a
identidade de agentes secretos, detalhes sobre a capacidade da
inteligência americana, palavras em código, resumos das sessões do
Conselho de Segurança Nacional e relatos de suas reuniões com o
presidente Barack Obama, segundo os documentos da justiça.
“Os livros negros contêm informação confidencial e de defesa nacional”, explica.
“São muito secretos, alguns deles… quero dizer que há material codificado neles”.
Um funcionário historiador do Departamento de Defesa recolheu os
documentos secretos que Petraeus acumulou quando era general, mas ele
nunca havia dado seus computadores ao historiador, como havia sido
solicitado.
Petraeus se comunicou por email com Broadwell, prometendo lhe dar os
computadores e os enviou pessoalmente à sua residência em Washington DC.
Recuperou os chamados livros negros alguns dias depois e os guardou em
sua casa.
Em Outubro de 2012, agentes do FBI interrogaram Petraeus na sede da
CIA quando ainda era director. O general aposentado lhes disse que nunca
havia repassado qualquer informação secreta a Broadwell.
Agora, Petraeus “admitiu ter retirado e conservado sem autorização
informação secreta e ter mentido ao FBI e à CIA sobre a posse e
manipulação de informação sigilosa”, declarou a promotora Jill
Westmoreland Rose em um comunicado.
Ter dado informação secreta a Broadwell e depois ter ficado com os
computadores em casa claramente viola sua obrigação legal de
salvaguardar a informação sigilosa, disseram as autoridades.
Nenhuma informação secreta apareceu no livro de Broadwell publicado em 2012.
(afp.com)