Fonte: Club-k.net
José
Kalupeteca estava, inicialmente, a ser procurado pela polícia nacional,
desde terça-feira, 14, após os seus seguidores terem espancados (e
desarmados) cerca de dez efectivos do Comando Provincial da Polícia
Nacional no Bié, na segunda-feira última, quando tentava impedir que os
fiéis desta seita vendem-se os seus bens.
“No Bié, os fies desta
seita foram orientados pelos seus dirigentes a venderem os todos seus
bens, e destruir as suas residências, uma vez que o fim do mundo será
este ano”, explicou uma fonte oficial, acrescentando que “a polícia foi
ao local onde funcionava a seita no sentido repor a ordem, e,
surpreendentemente, foram espancados e desarmados pelos membros desta
seita”.
Após este incidente, a Procuradoria Geral da República
da província do Bié emitiu um mandado de captura contra José Kalupeteca,
na qualidade do líder da seita, que se encontrava em retiro, em
companhia dos seus fiéis, à localidade da Serra do Sumi, à 25
quilómetros da sede municipal da Caála, província do Huambo.
Mas
antes, no município de Balombo, na província de Benguela, um outro grupo
de membros da direcção desta seita transmitiam, igualmente, a mesma
mensagem (do fim do mundo) aos fiéis daquela região. No entanto, quando
os efectivos da polícia tentaram “de forma indecorosa” persuadir os
crentes da “Kalupeteca” a não catar as tais recomendações, os
responsáveis da seita impediram-nos de forma apropriada, resultando numa
salada de violência.
A rixa entre os efectivos da polícia
nacional e os fiéis da “Kalupeteca” provocou, na quarta-feira, 15, à
morte de dois agentes, um ferido e um automóvel queimado. No entanto, a
polícia do Comando Municipal do Balombo ripostou efectuando alguns
disparos a “queima-roupa” contra agressores que estavam munidos de
“paus, catana e outros objectos contundentes”, resultando na morte de
alguns civis no local.
O Club K sabe que a polícia recusa-se a
fornecer informações concretas sobre o número exacto dos fiéis da seita
“Kalupeteca” mortos pelos seus efectivos. “Ninguém quer falar disso, mas
sabemos que esta acção resultou na morte e detenção de algumas pessoas
que são crentes desta igreja”, revelou a nossa fonte.
Já na
quinta-feira, 16, tendo em conta os dois episódios e em cumprimento do
“mandato de captura”, o Comando Provincial da Polícia Nacional no Huambo
ordenou o comandante municipal da Caála, Evaristo Catumbela, a criar
condições para deter o líder religioso José Kalupeteca que se
encontrava, juntamente com os crentes, numa das montanhas à localidade
da Serra Sumé, a 25 quilómetros da sede municipal da Caála, em
actividades.
No local da detenção, o comandante Catumbela
fez-se acompanhar com um aparato policial (armados até aos dentes) onde
integrava igualmente a Polícia de Intervenção Rápida, investigadores da
DPIC, efectivos dos Serviços de Inteligência e Segurança de Estado
(SINSE), Polícia de Ordem Pública e membros do Serviço dos Bombeiros.
De
acordo com registo, Evaristo Catumbela, na qualidade do comandante
municipal da Polícia da Caála, juntamente com o seu guarda, foi ao
encontro do líder seita Cristã do Sétimo Dia a Luz do Mundo, José
Kalupeteca, a fim de convence-lo a entregar-se às autoridades judiciais.
A conversa que teve uma duração de menos de 20 minutos, não produziu
resultados satisfatórios.
Não se sabe ao certo o que terá dito o
comandante Catumbela a José Kalupeteca para começar a ser violentamente
agredido (com o seu acompanhante) pelos guarda-costas do líder da seita.
Ao testemunhar a agressão, os elementos da caravana do policial
dirigiram-se de imediato à montanha a fim de socorrer o seu chefe, e
foram surpreendidos com disparos a “queima-roupa” efectuados pelos
crentes desta seita que se encontravam entrincheirados.
As
primeiras vítimas, segundo apurou o Club K, a serem mortos no local
foram o comandante Evaristo Catumbela e a sua escolta. Em gesto de
defesa, os efectivos do Ministério do Interior começaram a ripostar com
as “armas de guerra” de forma alienatória contra tudo e todos,
provocando mortes até das crianças e mulheres que assistiam de longe o
cenário de guerra.
Durante a troca de tiros, os fiéis da
“Kalupeteca” abateram cerca de dez elementos, entre os quais cinco
efectivos da PIR (incluindo o seu chefe de Operações), quatro de Ordem
Pública e o chefe municipal do SINSE da Caála. A maior parte dos
efectivos foram mortos com tiros a cabeças. Do lado da seita morreram um
número incalculável de crentes.
No final da “rixa”, uma
caravana – de três motorizadas – dos membros da “Kalupeteca”, em
protecção ao seu líder, puseram-se à fuga em direcção a província de
Benguela. Mas, ao passar pela comuna de Catabola, município de Longonjo,
no Huambo, foram surpreendidos pelos elementos da corporação. Nesta
senda José Kalupeteca com os seus seguidores irão responder, em
tribunal, pelos crimes de homicídio qualificado.
De realçar que,
em Outubro do ano passado, o governador do Huambo, Kundi Paihama,
aconselhou aos seguidores da seita "Kalupeteca", a obedecerem as leis
vigentes no país e a ordem social estabelecida, sob pena de incorrerem
em crime.
Kundi Paihama fez este apelo durante um encontro com
os fiéis da referida igreja, na aldeia de São Pedro Sumi, município da
Caála, motivado do facto dos mesmos serem constantemente acusados de
desrespeitar a ordem social, com o comportamentos contrários as leis
angolanas.
Trata-se da seita que por altura do Censo da População
instou os crentes para não participarem no processo, instigando-os a
abandonarem as casas para não se depararem com os recenseadores.
Em
outro acto, 576 membros abandonaram as suas casas para acamparem na
localidade de São Pedro Sumi, sem quaisquer condições de sobrevivência,
para servirem os seus princípios doutrinais, o que obrigou a intervenção
da Direcção da Assistência e Reinserção Social a fornecer alguns meios
de subsistência.
Por isso, o governador disse que Governo não vai
permitir qualquer desorganização social, nem tão pouco a desobediência
da lei. “É preciso interpretar correctamente as instruções bíblicas e
amar o próximo para a construção da nossa sociedade. Os líderes
religiosos de todas denominações eclesiásticas e os dirigentes
governamentais devem servir o povo”, disse.
Kundi Paihama
lembrou que cada cidadão é livre em seguir a denominação religiosa da
sua opção, mas ninguém deve ser manipulado pelos líderes religiosos a
seguirem preceitos que contrariam os objectivos do Estado.
Por
sua vez, o líder da referida igreja, José Kalupeteka, prometeu cumprir
com as orientações do Governador, sobretudo as relacionadas com o
cumprimento das leis angolanas. Sem implatação legal, a "Sétimo Dia a
Luz do Mundo" é uma dissidência da Igreja Adventista do Sétimo Dia, e
controla 3700 fiéis nas províncias do Huambo, Benguela e Bié.